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quarta-feira, 17 de abril de 2019

O Grande Almanaque Disney - Volume 1



No último sábado, dia 13 de abril, tive a oportunidade de visitar a 10ª edição do tradicional Festival Guia dos Quadrinhos em São Paulo onde encontrei vários amigos Disneyanos e pude adquirir, em primeira mão, o novo gibi da Editora Culturama: O Grande Almanaque Disney. O evento foi especial para os leitores Disney já que pela primeira vez contou com a presença de um artista italiano no lançamento de um gibi. O roteirista e desenhista Francesco Guerrini, muito simpático, atendeu todos os Disneyanos, leitores e colecionadores no stand da Editora Culturama.

Pude presenciar, além de uma apresentação da editora e uma entrevista com ele, um artista carismático que atendeu do primeiro ao último leitor (sim, fiquei por lá o dia todo) sempre com um capricho nas ilustrações e um sorriso no rosto ao tirar fotos. Destaco também a presença do jornalista Thiago Gardinali que esteve o tempo todo muito solícito não apenas como intérprete, mas como um elo entre os leitores e o artista e sempre aberto a uma boa conversa. Por último, destaco a equipe da Editora Culturama presente no stand que foram muito receptivos durante todo o dia: Paulo Maffia – editor, Janaína – comunicação, Juliana – comercial e Glítcia – vendas.

Só para relembrar, os quadrinhos Disney tiveram sua publicação interrompida no meio do ano passado e voltaram a ser publicados no mês passado por uma nova editora. A Culturama é uma editora gaúcha com sede em Caxias do Sul e uma vasta experiência no mercado de livros infantis. Editar quadrinhos está sendo uma experiência nova pra ela e pelo que pudemos constatar até agora estão passando com louvor no teste.  Além de O Grande Almanaque Disney, que vou comentar nesse post, a Culturama lançou inicialmente 5 títulos mensais: Tio Patinhas, Pato Donald, Mickey, Pateta e Aventuras Disney. Todos esses títulos tiveram suas numerações zeradas (a numeração sequencial antiga aparece no expediente da revista) e com melhorias gráficas que tornam o gibi muito superior ao que o leitor Disney estava acostumado. A capa é mais firme e o papel é off-set. Isso significa que a editora deixou de fora o famigerado papel jornal e entregou um produto com o papel branquinho que o leitor Disney sempre sonhou por ser mais resistente e reforçar as cores dos quadrinhos. Todos esses 5 títulos mensais tem 64 páginas e preço sugerido de R$ 6,00.


O Grande Almanaque Disney – Volume 1
Publicação bimestral, formato 15 x 21cm, 192+4 páginas, lombada quadrada, capa cartão, miolo offset. Preço: R$ 29,90.

Arte de capa: Giorgio Cavazzano

Eu sou um grande fã do título Almanaque Disney. Tenho mais de uma centena de números na coleção. O primeiro sentimento que tive ao pegar em mãos o novo O Grande Almanaque Disney foi de alegria pela continuidade desse título histórico. São muito diferentes, mas as vezes temos que deixar o passado pra trás e dar um passo a frente. Minha intenção não é comparar o antigo com o novo nessa resenha. Tenho bem tranquilo em mente que cada gibi tem seu tempo, espaço e valor na história dos quadrinhos Disney no Brasil e agora é a vez do novo por uma editora nova.

Acabamento gráfico

Dito isso, começo elogiando o acabamento gráfico que é excelente. Por mais que a capa talvez pudesse ter uma ilustração mais elaborada, ainda assim ela não deixa de despertar simpatia aos olhos. A encadernação é excelente. O gibi abre fácil por completo e não se encontra dificuldade nem mesmo pra ler os quadrinhos mais próximos a lombada que era um problema encontrado frequentemente nas edições da Editora Abril (Disney temáticos e Disney Especial, por exemplo).

Comparação de tamanho com um Almanaque Disney antigo

A lombada quadrada traz, além do título e número da edição que é bem bacana por facilitar a localização na estante, uma ilustração, ou começo de uma, que pode vir a formar uma ilustração maior. Já vimos lombadas sequenciais formarem uma ilustração nos quadrinhos Disney em outras ocasiões no passado, pra citar uma recente é a coleção Clássicos da Literatura Disney, publicada pela Editora Abril. O interessante agora é que esse título é um periódico bimestral e não faz parte de uma coleção fechada. Confesso que fico ansioso pra que venham logo os próximos números para que essa ilustração seja formada aos poucos. Isso já virou lugar-comum nas coleções de super-heróis e tem quem julgue uns aos outros nesse nicho por comprarem apenas por causa da lombada. Espero que esse comportamento não chegue aos leitores Disneyanos. De minha parte, adorei essa novidade que sequer foi anunciada previamente. Num papo informal com o editor, ele respondeu brincando (ou sério?) que pra ilustração de lombada se formar é preciso que o título seja bem vendido pra sua publicação ter continuidade. A minha parte eu comecei a fazer lá mesmo no evento, comprei dois, mas sobre isso falo no final do post.

Lombada com número e título da edição e o começo de uma ilustração maior.

A parte interna da edição tem o mesmo papel offset das mensais. Isso faz com que ele fique bem grosso e encorpado devido as suas 192 páginas. A capa tem ainda um acabamento de verniz muito bacana na ilustração dos personagens Mickey e Tio Patinhas. 



Antes de partir para o conteúdo propriamente dito não posso esquecer do Sumário bem legal com todas as informações necessárias e uma ilustração bacana pra animar a página e também uma página com a arte de capa original de Giorgio Cavazzano. São detalhes que fazem uma grande diferença para que a edição deixe de ser apenas um gibizinho qualquer e passe a ter uma relevância maior para o colecionador.



HQs da edição

Costumo comentar HQs no blog, mas como essa é uma edição que está chegando agora ao mercado e muitos Disneyanos ainda não tiveram a oportunidade de ler, vou evitar comentar muito sobre a trama afim de evitar spoilers. Todas as HQs são inéditas no Brasil.

O Inversor Gravitacional
Tio Patinhas – 49 páginas
Roteiro e Desenhos: Francesco Guerrini
Origem: Itália
Primeira publicação: agosto/1995


A HQ roteirizada e desenhada por Francesco Guerrini tem uma trama com ação o tempo todo. Em determinado momento, o próprio Tio Patinhas diz algo que pode ser destinado ao leitor: "não podemos nos distrair um segundo". Um roteiro ágil que começa de uma forma leve com o Tio Patinhas em busca de um tesouro, mas que logo se revela muito maior com a chegada em cena dos Irmãos Metralha que fazem de tudo e mais um pouco. Tem sequestro, roubos, planos audaciosos. Gostei bastante das piadinhas de fundo envolvendo os policiais que fazem a vigilância do covil dos Metralhas. E, como o próprio autor disse em entrevista no Festival Guia dos Quadrinhos, ele pôde usar as diversas facetas que o Pato Donald só tem nos quadrinhos, diferentemente dos desenhos animados. O Donald cozinha, se acidenta, faz trapalhada, quase estraga tudo e, no final, cabe a ele a maior parcela de responsabilidade por resolver as coisas. Essa foi uma HQ bem selecionada para abrir a edição. São 49 páginas que passam voando. Pra quem gosta de ação é a pedida certa. *****

A Volta do Pato Zampata
Pato Donald – 35 páginas
Roteiro e Desenhos: Marco Rota
Origem: Dinamarca
Primeira publicação: março/2005

Confesso que não me lembrava do personagem Pato Zampata. Tive que recorrer ao Inducks pra descobrir que essa HQ é uma continuação da HQ: O Lendário Concurso de Dança, publicada no Brasil na revista Pato Donald #2145 no ano de 1998 que, por coincidência, eu tenho na coleção e devo ter lido na época. Pois bem, é um universo bem legal e o personagem é carismático. Li essa HQ sem reler a anterior, mas assim que terminei a leitura fiquei com vontade de fazer isso. Ler mais e pesquisar sobre o personagem que parece ter sido criado por Marco Rota. Como é uma HQ sequência da anterior e que permanecia inédita no Brasil acho que foi uma boa escolha pra essa edição. ****




Duelo Descabelado
Maga Patalójika – 6 páginas
Roteiro: Paul Halas / Desenhos: Marco Rota
Origem: Dinamarca
Primeira publicação: setembro/2013

Uma HQ curta protagonizada pela Maga Patalojika. Não vemos os patos aqui. É válida por mostrar o cotidiano da Maga  e acrescenta muito a personagem que não fica limitada apenas a ser antagonista do Tio Patinhas. Embora o final seja previsível para o leitor mais atento ainda assim é uma HQ divertida. A mais fraca da edição. Imagino que não seja fácil preencher a edição com HQs de tamanho diferente de páginas. ***










Tudo Isso Aconteceu Amanhã
Mickey – 88 páginas
Roteiro: Casty / Desenhos: Casty e Massimo Bonfatti
Origem: Itália
Primeira publicação: outubro/2018

Disparada a melhor HQ da edição. Casty é sensacional e mais uma vez nos entrega uma obra digna de todo o reconhecimento que ele tem como um dos, se não o maior, artista Disney dos últimos anos.

Nessa HQ, João Bafo-de-Onça conseguiu subjugar toda Calisota graças ao poder hipnótico da Luva de Amnèzja (vista na HQ anterior "Tudo Isto Acontecerá Ontem") e pretende dominar o mundo inteiro. Mickey, Minnie, Pateta e os Professores Marlin e Zapotec bolaram um plano para dete-lo, e que prevê um envolvimento... deles mesmo do passado!

Uma das coisas que gostei do roteiro foi que as viagens no tempo não são o fator principal para atingir o objetivo. Em vários momentos fica nítido que o que faz as coisas darem certo são as atitudes de Mickey, Pateta e Minnie. Bravura, heroísmo, altruísmo. As interações entre os mesmos personagens de épocas diferentes é bem crível mesmo sabendo que estamos lendo uma obra de ficção. Nesse ponto, o Pateta se destaca com cenas que realmente fazem rir que em certo momento tive até que pausar a leitura pra dar uma respirada. O Bafo está ótimo como vilão. Dessa vez a ameaça parece mesmo real para o leitor. Apesar da luva hipnótica ser um recurso fácil, outro objeto se destaca ao servir como uma crítica a tecnologia e a sociedade moderna. 

É uma HQ que não é apenas um mero entretenimento. Ela faz com que o leitor pense sobre ela e reflita sobre o futuro do ser humano enquanto sociedade mesmo um bom tempo depois de finalizada a leitura. É mais um exemplo de que HQs Disney tem seu lado infantil, sim, mas não se destinam somente ao público infanto-juvenil. Quem gosta de ficção científica, ação, viagens no tempo vai gostar dessa HQ.

Já ia me esquecendo. A ideia dos 4 prólogos antes do começo da HQ e depois a forma como eles são inseridos no meio da trama é digna de um roteirista de filmes aclamados pela crítica. Casty merece a fama que tem. *****

Avaliação geral do conteúdo: do que podemos perceber do primeiro volume desse novo título é que ele abrigará as HQs longas produzidas, principalmente na Itália, e que não teriam espaço nas revistas mensais. A editora teve uma grande sacada ao iniciar com uma HQ do artista Francesco Guerrini que veio ao Brasil e publicou Casty que, atualmente, é o artista (do universo do Mickey) preferido de 10 entre 10 leitores Disney e completou a edição com duas HQs do Marco Rota, outro grande Mestre Disney. Apesar de ter apenas 4 HQs devido ao fato de apenas uma delas ser curta, o conteúdo ficou bem legal para uma primeira edição. Falando por mim, espero ver grandes aventuras do Indiana Pateta nesse título nos próximos volumes.

Extras da edição

Entrevista com Francesco Guerrini
Por Thiago Gardinali


Comecei a leitura da edição pelos extras lá mesmo no Festival em um momento de descanso. Essa breve entrevista é interessante para que possamos conhecer melhor o artista que produz os quadrinhos que tanto gostamos. Destaque para o relato de como Francesco Guerrini começou a trabalhar com os quadrinhos Disney. Tenho que elogiar também o trabalho do Thiago Gardinali e também como um grande incentivador dos quadrinhos Disney. Não está no gibi, mas um dos pontos altos da apresentação da Culturama no Festival Guia dos Quadrinhos foi um vídeo em que ele entrevista mais de uma dezena de artistas Disney e que mandam uma mensagem para a editora e os leitores Disney no Brasil.

Só para deixar o leitor do blog mais a par de quem é Francesco Guerrini: tradicional artista das HQs da Disney, o autor italiano desenha há 30 anos, trabalhando atualmente na revista Topolino (nome italiano do Mickey Mouse). Prata da casa, Guerrini foi escolhido pela Disney para fazer uma nova versão de Trenzinho da Alegria, clássica história de Carl Barks, criador de personagens como Tio Patinhas, tido como um dos maiores autores das HQs Disney.

Arquivos Disney: Esquálidus, o Homem do Amanhã
Por Edenilson Rodrigues e Rivaldo Ribeiro


Edenilson e Rivaldo já nos mostravam sua capacidade de apresentar informações em um formato prazeroso para o leitor no seu blog Planeta Gibi. Uma das melhores novidades nos últimos anos foram a colaboração que eles começaram a fazer diretamente nos quadrinhos Disney desde a Editora Abril onde tivemos extras muito informativos e, agora na Culturama, eles demonstram que continuam a todo vapor. Pelo jeito essa seção Arquivos Disney será fixa no título e cada volume terá um personagem diferente em destaque. Um dos pontos fortes da edição já que mesmo ocupando apenas 3 páginas do gibi é possível ter acesso a muita informação sobre o personagem.

Aconteceu ontem, amanhã ou... hoje?
Um papo exclusivo com os artistas Casty e Massimo Bonfatti sobre a nova saga do Mickey através do tempo e do espaço.


Extras que antecedem a HQ e que são muito importantes para que possamos relembrar do que se trata essa continuação (bom, pelo menos eu precisei que refrescassem minha memória). Na entrevista com os artistas Casty e Bonfatti tem todas as informações necessárias e muitas coisas mais. Dá pra sentir nas respostas a dedicação que eles tem para com os quadrinhos Disney.

Para finalizar:
Deixei de comentar, propositalmente, o tamanho da edição que não veio em formato americano como muitos colecionadores Disney esperavam. A Editora Culturama vem fazendo um ótimo trabalho com os quadrinhos Disney entregando produtos de qualidade que isso, para mim, se torna irrelevante. A edição está em um formato gostoso para se ler sentado, deitado na cama, na rede. Em um tempo de gourmetização dos gibis em que tudo parece que precisa, quase que obrigatoriamente, ser lançado em formato luxo capa dura... talvez seja um passo importante darmos valor nessa edição pelo conteúdo e não apenas pelo tamanho.

O preço de R$29,90 a principio pode parecer puxado para muitos leitores, mas é sempre bom lembrar que provavelmente essa edição poderá ser encontrada a preços promocionais. Como ela tem periodicidade bimestral deve ficar um tempo maior disponível para venda.

Gostei muito da edição, do formato, extras e HQs. Única ressalva que posso fazer é a ilustração de capa porquê prefiro capas que tenham chamadas para uma HQ da edição. Mesmo assim, minha nota para o número 1 de O Grande Almanaque Disney é 10! Vale cada pataca investida.

Sobre o Festival Guia dos Quadrinhos

Evento incrível! Primeira vez que fui e pretendo voltar todos os anos. Edson Diogo e sua equipe merecem os parabéns pela organização impecável. Encontrei e conheci lá o pessoal dos Disneyanos. Tudo gente boa. No stand da Culturama tive a oportunidade de conversar com o Paulo Maffia, Thiago Gardinali e equipe que receberam a todos muito bem. 

Como sou assinante dos quadrinhos Disney eu tive desconto de 20% na compra dos produtos da Culturama lá mesmo no evento mediante apresentação da carteirinha de sócio. Aproveitei e comprei um livro infantil bem bacana pro meu filho de quase 3 anos e dois exemplares de O Grande Almanaque Disney para que o artista italiano Francesco Guerrini pudesse desenhar e autografar. Um pra mim e um pro meu filho. Deixo a foto do registro do momento para finalizar o post.




quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Essencial Disney 1 - Tio Patinhas Versus Maga Patalójika

Reli essa primeira edição da coleção Essencial Disney essa semana e vou compartilhar aqui no blog o seu conteúdo e um breve comentário sobre uma das HQs dessa edição.

Ilustração de capa: Andrea Freccero
Projeto Gráfico de capa: Fábio Figueiredo

O início do volume contém uma introdução escrita por Julio de Andrade Filho. Um texto muito bacana que compartilho aqui. Eu não uso scan para obter imagens dos meus gibis, apenas tiro fotos com o celular mesmo, mas acredito que clicando na imagem e usando o zoom será possível ler esse texto por aqui mesmo.


A edição também tem um índice bem bacana com informações e uma breve sinopse de cada HQ. São detalhes que fazem a diferença e tornam o volume muito mais interessante.



A HQ "A Dupla Personalidade" que escolhi para comentar é a primeira da edição. Ela já foi publicada várias vezes no Brasil sendo a mais recente no Disney de luxo em capa dura, Maga & Min, de 2016.

****
Roteiro: Rodolfo Cimino
Desenho: Giorgio Cavazzano

Essa é uma HQ longa com 37 páginas e eu gostei mais da primeira metade da HQ do que da metade final. No começo acompanhamos o Tio Patinhas se precavendo de futuros ataques da Maga Patalójika ao instalar um grande robô no telhado da Caixa-Forte que age de acordo com sua personalidade, ou seja, prega fogo na Maga evitando qualquer tentativa de invasão. Esse robô é uma invenção do Prof. Pardal que é bem verossímil ainda mais atualmente em que estão criando robôs cada vez mais inteligentes. O detalhe é que essa HQ é de 1971 então o roteirista Rodolfo Cimino merece ainda mais pontos pela ideia bem bacana usada há quase 50 anos atrás.

A reação do Donald é hilária!

Robô em ação!

Ainda nessa primeira metade da HQ acompanhamos a Maga Patalójika, com a ajuda de Roberta, uma bruxa tecnológica como aponta o roteiro, em busca de uma forma de conseguir atingir seu objetivo de ter a posse da moeda Número Um do Tio Patinhas. Esse trecho, particularmente, gostei bastante porque a Maga se torna praticamente a protagonista da HQ. Achei até que continuaria assim até o fim, mas fui surpreendido pela parte final.

Laércio nocauteado pela Maga!
Palavras mágicas!

Curva mais curta que reta.

Muito interessante o Mundo Invertido pra quem é adepto de teorias da conspiração.

Obstáculos que fazem lembrar as aventuras do Indiana Pateta.

Cruz-credo!

Psicólogos podem falar melhor sobre personalidades anuladas. Será?

Na parte final dessa HQ, após a Maga já ter conseguido trocar a personalidade do Tio Patinhas para uma personalidade generosa e, com isso, anulando o robô que fazia a defesa é que vem a parte do roteiro que não me agradou. Os sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho levam o seu tio Donald para trocar de personalidade também e ele se torna corajoso e, digamos, super capaz. O roteiro segue com o Donald colocando as coisas em ordem até que vai atrás da Maga no Monte Vesúvio para recuperar a Número Um. O que me desapontou é que em nenhum momento mais da HQ vemos a Maga Patalójika que tem sua construção narrativa totalmente desprezada.

Plano em ação.

Tudo acaba bem. O Tio Patinhas e o Donald voltam a ter suas personalidades normais e pra completar o final feliz o Tio Patinhas entrega um saco de moedas para o Donald como recompensa. Bonitinho até demais o final dessa HQ.

Parece até "moral da história" esse final.

Fiquei pensando se o problema não era eu, como leitor, que estava com aquele sentimento que as vezes temos de torcer pelo vilão, mas definitivamente não foi o caso. Por mais que eu tenha afeição pela Maga Patalójika (e acredito que muitos leitores de quadrinhos Disney também tenham) eu não torci por ela, não queria o Tio Patinhas falido e sem sua moeda Número Um. Foi mais uma sensação de que a ideia poderia ter sido melhor aproveitada ao invés de terminar de contar a história apressadamente.

A HQ vale mesmo pela idéia do Mundo Invertido, o lugar onde ficam depositadas, em forma de estátuas, as personalidades anuladas de cada pessoa. Acompanhar a Maga passando pelos obstáculos para conseguir chegar a esse local é o ponto alto da trama.

---

Sobre as outras HQs da edição: 
O Celular enfeitiçado: muito boa, me diverti bastante lendo essa. A Maga faz o Tio Patinhas passar por situações absurdas. ****

Uhuu, Animal!: não gosto muito do recurso de transformações em animais usados pela Maga nessa HQ. Uma HQ menor da edição em divertimento e, ainda bem, em número de páginas também. **

A Camélia Contumélia: uma excelente HQ para fechar a edição. Bem gostosa de ser ler e tanto o Tio Patinhas quanto a Maga Patalójica estão em sua melhor forma aqui. O final é ótimo ao colocar a Maga em uma situação inusitada polindo as moedas do Tio Patinhas. *****

Sobre a edição:
No geral tem um bom mix de HQs que realmente trazem o tema Tio Patinhas x Maga Patalójica. É a isso que a coleção Essencial Disney se propõe e é isso que ela entrega. Sem mais nem menos. Houve muitas criticas na época de lançamento dessa coleção do que seria "essencial" nos quadrinhos Disney e os leitores reclamavam que o conteúdo deveria ser de HQs "clássicas". O que talvez não tenham entendido é que o "essencial" do título se referia aos temas da coleção e não de HQs específicas. 

domingo, 20 de maio de 2018

Review: Zé Carioca #1473 (Fev/1980)

Zé Carioca #1473 - Fevereiro/1980

Adquiri essa revista recentemente e esse número é o mais baixo da minha coleção de revistas do Zé Carioca. Na época a periodicidade do título era quinzenal e cada edição tinha 36 páginas. O curioso é que o Zé Carioca aparece em apenas uma HQ de 6 páginas da edição. Apesar de as demais HQs terem um bom mix de personagens Disney eu não gosto desse recurso utilizado para manter o título sendo publicado. Não tenho muito conhecimento de como era na época, mas prefiro como é agora na revista do Zé Carioca que é uma revista apenas de republicações já que não temos mais produção nacional, mas que as HQs do Zé Carioca são predominantes na revista.


Sobre a capa: como podemos ver, essa edição veio com um brinde para os leitores. Um transferível para sua camiseta. A capa se abre ampliando o desenho e a contra-capa contém as instruções de como proceder sem que seja necessário recortar a revista. Eu não arriscaria. 

HQs da edição:


Que Cachorrada - ****
Zé Carioca - 6 páginas
Roteiro: Gérson L. B. Teixeira
Desenho: Roberto O. Fukue


Zé Carioca é perseguido por um cachorro e por sorte se esconde dentro da casa de onde o cachorro havia fugido e recebe uma recompensa por isso. O que ele faz, então? Tem a brilhante ideia de montar um canil (e envolve o Nestor nessa empreitada) e tentar encontrar cachorros perdidos e devolver para os seus respectivos donos. Não é difícil imaginar que isso não iria dar muito certo. Um quadro me chamou a atenção no final da HQ onde o Nestor se esconde atrás de uma árvore enquanto o Zé está levando uma baita surra. Embora bem próxima de uma "realidade", não é uma cena comum. 


Peripécias De Um Perito - **
Professor Ludovico - 6 páginas
Desenhos: Carlos Edgard Herrero

Páginas demais pra contar uma piada que nem tem lá tanta graça. O Professor Ludovico testando a paciência da galera responsável por uma mudança (móveis). Pior é que a dona da casa nem é uma pessoa conhecida do leitor. Um personagem aleatório sem nome sem nada. Duas ou quatro páginas seriam suficientes, seis ficaram cansativas.





Se Comunicando - ***
Pateta - 3 páginas
Desenho: Euclides K. Miyaura

Pateta e Mickey sem gasolina no meio do deserto e fazendo uma aposta sobre tentar se comunicar com os índios. Legível. Nada mais.











As Panquecas Saltadoras - ***
Prof. Pardal - 8 páginas
Desenho: Irineu Soares Rodrigues

Professor Pardal inventa (por acaso) umas panquecas saltadoras e acha que é uma boa ideia colocar elas nos pneus dos carros que o Tio Patinhas fabrica. Ah não. É claro que vai dar errado. Roteiro previsível. 









O Telefone-Morcego - ****
Morcego Vermelho - 1 página

Enfim uma boa HQ com piada de uma página. Morcego Vermelho é infalível. Garantia de HQs divertidas. Nessa ele passa perto de um "orelhão" (telefone público) com uma fila enorme de pessoas aguardando a vez de telefonar e o povo corre atrás dele para usar o telefone-morcego. Bem legal.





Concorrência Com Corrida - ****
Tio Patinhas - 5 páginas
Roteiro: Bob Langhans
Desenho: Tony Strobl


Muito interessante essa HQ. É bem raro ver o Patacôncio levar vantagem sobre o Tio Patinhas. Dessa vez o plano dele deu certo e no fim até gostei dele ter levado a melhor. Conseguiu enganar o Tio Patinhas que se mostrou prepotente ao rir da cara do adversário que ele imaginava estar falido e acabou deixando de fechar um contrato com a prefeitura. Mereceu. Patacôncio 1 x 0 Patinhas.






Propagandas:

Destaque e brinque


IUB


Disney Especial - Os Artistas


Heróis da TV


Nestlé


domingo, 13 de maio de 2018

Disney de Luxo #1 – DragonLords: O Reino dos Dragões



Em janeiro de 2014 a Editora Abril lançou os primeiros Disney de Luxo em formato capa dura. DragonLords e O Mistério dos Signos foram lançados simultaneamente após um período de espera e grande ansiedade por parte dos leitores já que esses primeiros volumes foram impressos na China. Esses volumes marcaram o início de uma nova fase de publicações de quadrinhos Disney pela Editora Abril que viria a se intensificar nos próximos anos: volumes em capa dura com acabamentos luxuosos e que, diferentemente das publicações até então, passaram a serem vendidos também em livrarias físicas e lojas virtuais.




















DragonLords foi lançado com preço de capa de R$29,90 com o formato um pouco maior do que os atuais volumes lançados: 16,6 x 24,3 cm, 180 páginas e papel couché. A edição conta com uma página de introdução pelo próprio roteirista, quatro páginas de curiosidades a respeito da obra e três páginas apresentando os autores. Total de oito páginas de extras. Essa é uma saga que se já não tivesse sido publicada nesse formato luxo recentemente, hoje poderia ser publicada novamente no título trimestral Disney Saga lançado esse ano pela Editora Abril que tem um formato padrão de 196 páginas. 




Dragonlords: O Reino dos Dragões
Roteiro: Byron Erickson
Desenho: Giorgio Cavazzano
Arte-Final: Sandro Zemolin
164 páginas divididas em 12 capítulos
Publicada originalmente na Itália: Zio Paperone #165 a #176 (2003-2004)
Publicada pela primeira vez no Brasil: Aventuras Disney #1 a #3 (2005)

Sinopse: Transportados contra a vontade para uma dimensão desconhecida, Tio Patinhas e Pato Donald, com os sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho são aprisionados em um mundo medieval policiado pelos DragonLords, alienígenas violentos e opressores que cavalgam seres alados cuspidores de fogo. Inicialmente apenas preocupados em voltar para casa, os involuntários viajantes de Patópolis acabam se envolvendo com os habitantes oprimidos do planeta e se juntam a eles na luta pela liberdade. O segredo da vitória, porém, está em conquistar a confiança das criaturas que servem de montaria para o inimigo: os poderosos dragões. 


Comentando HQ: A Saga DragonLords costuma dividir as opiniões dos leitores. Já vi muitos comentários positivos e negativos a respeito dessa HQ. Eu gosto dela. Li ela pela primeira vez em 2014 nessa edição e por um tempo pensei que isso pudesse ter influenciado minha opinião, afinal, estava tendo em mãos pela primeira vez os quadrinhos Disney com esse acabamento. Há um bom tempo eu estava com vontade de reler essa saga e fiz isso hoje (03 de maio, dia que escrevi esse post) e mantenho a minha opinião de que é uma HQ bem interessante. Com uma trama simples, é verdade, mas com bastante ação e desenhos sensacionais. Os quadrinhos Disney não são feitos somente para adultos, pelo contrário. Essa saga, claramente, é destinada a um público mais jovem, mas nem por isso deixa de ter seus méritos. Eu sou um leitor que consigo gostar tanto de Dragonlords quanto de Mickey Mistery (que tem uma pegada mais adulta) do mesmo jeito, por exemplo.

Alguns personagens de DragonLords:


Jute: é um menino que conseguiu escapar da escravidão imposta pelos alienígenas e se torna um foragido na cidade vivendo em túneis subterrâneos e usando passagens secretas para servir ao propósito da resistência.

Rasmus: um velho escravo dos Morg. Muito inteligente, é um personagem muito interessante e um peça fundamental para os planos da resistência.

Brendon: típico herói da era medieval, outrora um simples fazendeiro, virou líder da resistência ao não se submeter a expansão do império dos Morgs reunindo os poucos humanos que sobraram e contra-atacando.












General Hyrrr e Lorde Moraq: disputam a liderança dos Morgs. São colocados um contra o outro após um plano do Tio Patinhas.

Groob: um Morg que fica em Patópolis ao não retornar pelo portal no começo da história. As aparições dele são bem divertidas.

Hintermann: um mago que auxilia Brendon e a resistência.

Clarg: morg capataz dos escravos. Dotado de uma inteligência limitada.

Fumacê, Fungador e Lança-Fogo: três dragões filhotes que são libertados pelos sobrinhos Huguinho, Zezinho e Luisinho. Cada um com uma característica própria.

DragonLords: O Reino dos Dragões não é uma obra-prima dos quadrinhos Disney mas cumpre o que promete: muita aventura em uma trama simples que pode agradar os leitores mais novos e despertar a criança dentro dos leitores mais velhos. 

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